domingo, 19 de fevereiro de 2017

523- Miúdos a votos (O livro de que mais gostam)

Sem dúvida que esta é uma excelente iniciativa de promoção da leitura. 

---Texto retirado do sítio da Visão Júnior --- 

Os alunos do 4.D da Escola Miquelina Pombo, na Sobreda, concelho de Almada, representaram a história de 'Teatro às três Pancadas', para convencerem os seus colegas que é nesse livro que devem votar em 'Miúdos a Votos'. Fomos espreitar!


LILIANA LOPES MONTEIRO (TEXTO) E ANDRÉ MOREIRA (VÍDEO)

Os alunos do 4.ºD da Escola Miquelina Pombo, no concelho de Almada, adoram o livro O Teatro às Três Pancadas, de António Torrado, e decidiram representar para os colegas do 3.ºE, do 3.ºF, do 4.ºE e do 4.ºF algumas passagens da obra.
Ensaiaram no corredor e na biblioteca da escola e em menos de uma semana a peça estava pronta! Sob a orientação da professora Alexandra Lopes e do jovem encenador Hugo Batoca, os alunos Diogo Teixeira, Beatriz Frazão, Catarina Lima, João Alves e Tomás Dias tornaram-se atores por uma manhã.
Nervos? "Nenhuns", disseram. Relativamente, à escolha do livro Teatro às Três Pancadas, todos concordam: "É um livro cheio de histórias giras, e ainda aprendemos muitas coisas sobre teatro e sobre a história de Portugal!"

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

521- Perfil dos alunos à saída da Escolaridade Obrigatória

Perfil dos alunos à saída da Escolaridade Obrigatória


Ainda não li, com a devida atenção  o documento abaixo e preocupa-me a forma como vai ser operacionalizado e trabalhado pelas escolas, no entanto, saúdo desde já este tipo de documento pois, tenho para mim, que na escola não se passam só conteúdos fixos e imutáveis e que preparar alunos para empregos que ainda não existem é muito mais exigente e obriga a que estes tenham competências diferentes das que tinham os nossos pais que tinham empregos estáveis e para toda a vida. Decorar só para um teste é mesmo muito pouco... 
 
A partir do sítio da Direção Geral de Educação.

"O documento: "Perfil dos alunos à saída da Escolaridade Obrigatória" encontra-se em consulta pública até ao dia 13 de março de 2017.
No âmbito do debate alargado lançado pelo Ministério da Educação sobre o Currículo do século XXI, foi constituído um Grupo de Trabalho tendo em vista a definição do perfil de saída dos jovens de 18 anos de idade, no final de 12 anos de escolaridade obrigatória (Cf. Despacho n.º 9311/2016, de 21 de julho).
Concluídos os trabalhos do referido Grupo, o Ministério da Educação coloca agora em discussão pública, até ao dia 13 de março de 2017, o documento Perfil dos alunos à saída da Escolaridade Obrigatória, disponível em: http://dge.mec.pt/perfil
Pretendendo-se que este momento de consulta pública se paute por uma participação plural agradecemos, desde já, o V/ contributo através do preenchimento do formulário eletrónico:  http://area.dge.mec.mec.pt/perfil"  

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

518 - Slamit 7 - Curso ERASMUS+ sobre bibliotecas escolares

Já está disponível no Sítio da Agência Nacional Erasmus+ informação atualizada relativa à ação KA1 que permite a candidatura aos programas europeus e de um modo especial ao Curso Slamit7 no âmbito das bibliotecas escolares  e que terá lugar na Croácia em Nov 2017 http://www.erasmusmais.pt/erasmusmais/candidaturas/acao-1/formularios.html


Chama-se apenas a atenção para os seguintes factos:
- . Todos se podem candidatar através das escolas ou a partir de uma candidatura conjunta de um CFAE e não a nível individual;
- O prazo de candidatura acaba a 2 de fevereiro de 2017
- Mais informações sobre as candidaturas ERASMUS+ poderão ser obtidas em http://www.erasmusmais.pt/erasmusmais/erasmus/acoes/acao-1.html

Portanto, o agrupamento ou o CFAE  elaborará uma candidatura mais global, na qual inserirá a participação do(s)/da(s) PB.

Mais informações acerca do curso Slamit7 poderão ser obtidas em:




domingo, 11 de dezembro de 2016

517 - As bibliotecas dos escritores

De uma fabulosa conferência de Clara Crabbé Rocha sobre a biblioteca de seu pai, Miguel Torga, proferida no encontro Eterna Biblioteca, em novembro de 2016 em Sintra, retenho muita coisa na memória que lamentavelmente não registei e que permanecerá apenas na minha memória afetiva (não se fala sobre a importância da leitura, fala-se dos livros, lêem-se os livros).

Sobre uma biblioteca pessoal tive a sorte de registar algumas ideias soltas que as transcrevo:
Existiu o conceito de biblioteca como sendo a possibilidade de preservar os livros escondendo-os das mãos dos homens. [...] Cada biblioteca pessoal é diferente da outra. tem uma carga afetiva e memória que associamos a certos livros. Uma biblioteca pessoal de um escritor é feita de memórias e afetos... é uma presença carregada de recordações. De leituras de infância que as fizemos aos vinte anos e retomámos aos cinquenta.  

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Procuro na internet um excerto de um texto dito por Clara Crabbé Rocha e descubro outro, publicado no jornal público cujas ideias mestras, de alguma forma, também foram partilhadas pela conferencista na sessão. Por isso as transcrevo aqui,
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"Miguel Torga teve muitos lugares de escrita, como a sua obra largamente documenta, mas o n.º 3 da rua Fernando Pessoa foi um dos mais constantes, a par do consultório no Largo da Portagem [em Coimbra] e da casa natal em Trás-os-Montes", escreveu a filha, Clara Crabbé Rocha, na brochura da casa-museu. Na casa podemos visitar o escritório, espaçoso, sobre a varanda do primeiro andar. Na mesa, a máquina de escrever Royal; nos armários, milhares de livros (muitos ainda por inventariar). No recanto, um divã a que chamava "o meu sarcófago", inspirado na torre de leitura de Montaigne. "O lugar de Miguel Torga era a própria escrita, era dentro dela que o poeta vivia em certas horas, ao mesmo tempo alheado e inteiro. Era na escrita que gostava que os leitores o procurassem, o compreendessem e o amassem. Por isso a casa-museu não é mais do que uma peça dum conjunto biográfico, convidando à leitura e à fruição da sua obra", continua a filha."

A montanha é, de facto, a grande musa da obra de Torga: "A verdadeira paisagem da minha vida é uma grande serra nua." Só está bem quando regressa a São Martinho de Anta, onde o Douro corre no fundo do penedo rasgado em socalcos e onde as pedras da serra são duras e roladas como gigantescos seixos. "Este Trás-os-Montes da minha alma! Atravessa-se o Marão e entra-se logo no paraíso!" A relação com a paisagem é quase pudica, ele não se mistura nela, não se tornam um. Pelo contrário: o poeta respeita-a, divindade suprema, ama-a "de uma maneira casta, comovida, sem poder macular a sua intimidade em descrições a vintém por palavra". Sabe que está em casa quando chega à terra, chama ao Douro a sua "carótida", é na montanha que bate o coração: "Chego a uma terra e não resisto: tenho de me meter pelos campos fora, pelas serras, pelos montes, saber das culturas, beber o vinho e provar o pão."

"A semente, a seiva, a colheita, a água, a terra, o vento, o pão, o parto, o pastoreio, Adão e Eva, por exemplo, recorrem nos seus livros como se fossem, não ideias, mas imagens irradiantes", escreveram Óscar Lopes e António José Saraiva. Isto na sua obra ficcional, mas também nos Diários: 16 volumes de 1932 a 1993. Começam, Torga é ainda um estudante de Medicina em Coimbra, vive numa república (a mesma onde anos depois descerraram uma placa de homenagem - ele não gostou), atravessam o século XX, as suas viagens, inquietações, a solidão da escrita, mesmo já marido, pai, amigo, e, antes, jovem, preso no Aljube (meses entre 1939 e 1940), crítico observador do mundo. "Nem romance, nem contos, nem poemas. Apenas este monólogo. Se isto pudesse continuar não era de todo desengraçado publicar mais tarde, na íntegra, os frutos insossos de alguns dias de repouso. Um voluminho doméstico, espontâneo, descuidado, para o qual eu fosse, como leitor, sem a relutância com que vou sempre para os outros que escrevi", escreveu no primeiro Diário, ainda em 1940. Publicou-os um a um em edições de autor (a Dom Quixote fez uma primeira reedição conjunta, em quatro volumes, em 1995 após a sua morte).

Casa de amigos

A visita à casa-museu começa com um poema de Torga, um longo auto-retrato que, de certo modo, define o homem cuja casa, espaço íntimo, percorremos. "É preciso compreender Miguel Torga para compreender a sobriedade desta casa", explica a vereadora. Mas "apesar de sóbria tinha elementos de extremo bom gosto". A filha, Clara, conta que Torga e Andrée "foram fazendo ao longo dos anos o interior de sua casa, percorrendo os antiquários e adquirindo aos poucos os móveis e as peças de arte que durante varias décadas aconchegariam o seu quotidiano". Por isso, a casa é feita de "vivências, memórias, objectos", é a casa dos "pais", "que foi também a minha durante quase três décadas", escreve.

Aqui recebia os amigos. E por aqui passaram, segundo a filha, presidentes da República, primeiros-ministros, políticos, embaixadores, intelectuais, editores estrangeiros. "O vinho do Porto habitualmente servido às visitas era um dos rituais dessa forma de convivialidade, como o eram também os almoços ou jantares de perdizes estufadas ou da famosa vitela assada que Ruben A. gostosamente evoca na sua autobiografia O Mundo à Minha Procura", escreve Clara Rocha.

É o que conta a vereadora: ainda há muitos amigos de Torga, gente que o conheceu, com quem conviveu, que visita a casa e se lembra deste e daquele episódio. Se esperamos evocações profundas porque estamos na casa de um escritor, é em vão: as memórias são íntimas, sim, mas sobre os assados da Dona Andrée ou as patuscadas com os amigos à mesa. O poeta e político Manuel Alegre corrobora, no catálogo da casa: "Andava em campanha eleitoral, ele [Torga] encontrou-me na rua e disse-me: fui caçar para ti, anda jantar lá a casa. (...) Foi, de certo modo, uma iniciação. E eu saí daquela casa com a sensação de ter sido armado cavaleiro duma ordem desconhecida".